quinta-feira 28 2015

O Meu Primeiro Disco Gravado

                                                                        Residência de Hermínio Bello de Carvalho. Na foto Eduardo Marques, Clementina de Jesus, Cartola, Albino Pinheiro, Carlos Cachaça, Aracy de Almeida, Paulinho da Viola, Caetano Veloso e Jards Macalé -
Lançamento de meu primeiro disco. Residência de Hermínio Bello de Carvalho, meu parceiro musical RJ - 1973. -  Eu,sentado à direita, com minha madrinha Clementina de Jesus. De pé, os meus padrinhos Paulinho da Viola Albino  Pinheiro da Banda de Ipanema. Ao centro, sentados, meus padrinhos Cartola, e Carlos Cachaça da Mangueira ao lado  da  convidada Aracy de AlmeidaAo fundo, também os convidados Caetano Veloso e Jards Macalé.

Era o Tempo do “milagre brasileiro”, ano de 1973, na cidade do Rio de Janeiro. Eu mal completara vinte e um anos de idade. O local era ... 
... o estúdio da gravadora Odeon, que ficava na sobreloja daquela galeria, ali próximo à Praça Paris, no finalzinho (ou comecinho) da Avenida Rio Branco, no Centro. Então, acontecia a gravação do meu primeiro disco, um long-play, vulgo “bolachão”, de composições e interpretações minhas, produzido por meu parceiro Hermínio Bello de Carvalho, com arranjos musicais do Maestro Nelsinho do Trombone, e uma única faixa dentre as demais, foi alterada totalmente na letra e no título, passando a ser “Casa de Ferreiro (Homenagem à Clementina de Jesus)”, cujo título original - "Tá Comigo, Tá Com Deus" - estava censurado. Por orientação de Hermínio modifiquei letras e rimas, para que não se perdesse de todo o material de base já gravado, e até adotamos recursos, como simplesmente substituir um título original de uma determinada composição, por um outro bem babaca, que não tivesse qualquer sentido. Nem a letra original ou a modificada, tinham algo a ver com Clementina de Jesus. A suposta homenagem a ela, citada no novo título, foi mais um dos artifícios adotados para a liberação da gravação.  O arranjo de Luizinho Eça, do “Tamba Trio”, se manteve inalterado. Foi assim também que um samba meu e de meu parceiro João de Aquino, originalmente intitulado "30 Moedas", foi renomeado para "Fica, Amor", gravado pelo João e também por Jorginho do Império. Então assim era feito e funcionava: submetidas novamente à censura, as mesmas letras já vetadas, mas com versos e títulos alterados eram ironicamente liberadas. Outras de minhas letras do mesmo disco alteradas por mim foram "Deixa Comigo", e "O Que Já Sofri do Amor". De mesma forma se deu a gravação de "'Guente A Mão, Mulher", com Roberto Ribeiro, cujo titulo original, "Deixe Estar", também foi trocado graças à censura. As imagens de capa e contracapa do long-play saíram das lentes precisas de Cafi e do compositor Ronaldo Bastos, além do traço delicado do pintor Luiz Canabrava, em uma imagem minha para o encarte do long-play. O Hermínio preparara um esquemão para a divulgação do disco. Ele convidou para serem meus padrinhos artísticos: Cartola, Paulinho da Viola, Carlos Cachaça da Mangueira,  o General da Banda de Ipanema Albino Pinheiro Clementina de Jesus, que um tempo depois, veio a ser também a minha madrinha de casamento. Houve a distribuição de convites para outras personalidades, feita com discos promocionais em formato de compacto simples, com dois sambas meus em parceria com Hermínio Bello de Carvalho, copiados do long-play, intitulados "Não Esquente A Cabeça" e "Jerusalém".  A capa do compacto simples era de caricaturas impressas e assinadas pelo cartunista Lan, comigo ao colo de minha madrinha  Clementina de Jesus e com meus outros padrinhos, como em um “batizado”, e na contracapa um texto de Hermínio. Os compactos foram endereçados à imprensa, à artistas, críticos, empresários, enfim. Os técnicos de gravação foram ToninhoNivaldo, com a direção geral do Maestro Gaya. Uma produção vultosa, que me apavorou de tal forma, a ponto de eu me ausentar do “meio artístico”, em longa reclusão, tal me parecia a responsabilidade. O timaço de Músicos participantes nas gravações foi de primeiríssima grandeza: Regional do Canhoto, Maestro Orlando Silveira do Acordeão, Chiquito Braga na guitarra elétrica, Hugo Belardi nos teclados, Dino 7 Cordas, Damázio no violão de 6, Luizão Maia no contrabaixo de pau, Luna na bateria, Pedro Sorongo nos efeitos percussivos, Erastro, irmão do percussionista Nanai Vasconcellos, a pegar de berimbau e tamboras, Luizinho Eça de piano, e nos vocais o "Coral do Joab" e o "Coral As Gatas". 

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